

Em comemoração ao Dia das Crianças, a Agência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Juiz de Fora realizou uma pesquisa sobre jogos digitais utilizados por crianças e adolescentes, com o objetivo de observar a legislação que protege esse público e orientar pais e responsáveis sobre compras e conteúdos acessíveis aos menores de idade.
Segundo Gisele Zaquini, gerente do Departamento de Estudos, Pesquisas e Projetos do Procon/JF, o estudo busca alertar sobre os riscos da exposição de crianças e jovens às plataformas de jogos online e reforçar a importância do monitoramento constante durante o uso.
“O objetivo deste estudo é orientar pais e educadores quanto aos riscos da exposição de crianças e jovens a plataformas de jogos online, destacando a importância do constante monitoramento durante o uso, bem como oferecer material de fácil acesso aos conteúdos dos jogos, estratégias publicitárias e dicas de segurança, visando evitar compras indesejadas e riscos à saúde física e mental de crianças e jovens”, destacou Gisele.
A pesquisa foi realizada durante o mês de setembro de 2025, a partir do mapeamento dos jogos mais populares nas plataformas Google Play Store e Apple Store, nas categorias Em Alta e Top Jogos. Foram priorizados jogos gratuitos e com versões voltadas ao público infantojuvenil. Ao todo, 18 jogos foram baixados em três aparelhos diferentes, sendo que cinco apareceram em ambas as plataformas. Entre os títulos analisados estão Roblox, Prison Blox, Free Fire x Naruto Shippuden, Pizza Ready, Subway Surfers, Block Crazy Robp World Craft, Kpop Piano Star – Music Game e Meu Talking Tom: Amigos 2, entre outros.
O estudo avaliou os aspectos positivos e negativos de cada jogo, como o caso do Among Us, que apresenta um sistema de dedução social entre jogadores. O aplicativo solicita idade e data de nascimento no início e disponibiliza seus termos de uso e política de privacidade, o que é considerado um ponto positivo. Entretanto, o jogo também exibe anúncios entre as partidas e oferece prêmios mediante visualização de propagandas.
A maioria dos jogos apresenta publicidade, inclusive aqueles classificados como livres para todas as idades. As propagandas são, em sua maioria, de outros jogos, mas também incluem anúncios de lojas e serviços voltados ao público adulto, como Amazon, Casas Bahia, Renner e instituições financeiras. Além disso, quase todos os aplicativos oferecem compras internas, como o Roblox, que possui pacotes que podem chegar a R$ 1.179,90.
O Código de Defesa do Consumidor (CDC) reconhece que crianças e adolescentes são consumidores vulneráveis, devido à sua imaturidade e inexperiência, o que os torna mais suscetíveis a práticas comerciais abusivas e à exposição a conteúdos inadequados. Por isso, as empresas devem adotar medidas de proteção integral, indo além das regras gerais aplicáveis a todos os consumidores.
O Procon/JF reforça a importância de que pais e responsáveis acompanhem o uso de jogos online e fiquem atentos às compras e anúncios exibidos nas plataformas. Em caso de dúvidas, o consumidor pode procurar o Procon para mais esclarecimentos.
Confira a pesquisa no anexo.